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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dança no abismo.

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."

Nietzsche.

Agir fora do que determina o social, parecer com o monstro que combate, e ainda escolher o lado certo, agir com virtude, usar as ferramentas erradas, com as intenções certas, ao limite da insanidade, ao limite do desequilíbrio, e ainda assim, "se enganado, não mentir ao mentiroso", usar toda sua fúria para agir da maneira certa, seu ódio sublima na escolha que não há outra maneira, senão, escolher por toda humanidade. E assim, mesmo assim, conservar o coração puro. É impossível sem o desapego, sem o impassível ascetismo da negação do egoísmo, ascetismo como o de Cosme de Calvino, e de apenas desejar a justiça, "Com manobras de amor no precipício".



segunda-feira, 14 de março de 2011

14 de março - Dia da poesia.


Se


Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.

Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.

De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.

Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!