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domingo, 8 de julho de 2012

Feno para cavalos.





Feno para os cavalos


Gary Snyder


Ele guiava metade da noite
De muito abaixo de San Joaquin
Através de Mariposa, subindo as
Estradas perigosas do morro,
E arribou pelas 8 da manhã
Com seu baita carreto de feno
atrás do celeiro. 
Com guinchos e cabos e braço
Empilhamos os fardos em cima
De vigas de sequóia espaçadas
Alto na sombra, flocos de alfafa
Rodando pelas telhas-frestas de luz,
Comichar da poeira do capim seco na
camisa suada e nos calçados.
No horário do almoço sob o carvalho
Na entrada do estábulo abafado,
---A égua velha fuçando no cocho,
Gafanhotos ziziando nos matos---
"Eu tenho sessenta e oito" disse ele
"Na primeira carga de feno eu tinha dezesseis.
Eu pensei, naquele dia em que começava,
Por certo odiaria fazer isto toda a vida.
E dane-se, não foi mais nada
O que eu fui e fiz."


Tradução Adriandos Delima




domingo, 29 de abril de 2012

O que vem da Bahia...


"Minha oposição a religiões não dá direito a ninguém de insinuar que só acredito na ciência ou mesmo que sou ateu. Se ateu é aquele que não acredita em UM Deus, então podem até chamar-me assim, mas eu apenas repudio o Deus absoluto dos monoteístas, sobretudo dos cristãos. Não tenho nada contra mitologia grega, hinduísmo, candomblé, xintoísmo, taoísmo... O que não posso conceber é um Deus racional e único que organizaria o universo, porque simplesmente eu não acho o universo tão racional e organizado quanto religião E ciência pensam. Quando eu tenho que escolher entre ciência e religião, prefito a ciência por motivos epistemológicos, pelo fato de a ciência ao menos conceber que pode estar errada e já saber atualmente que seu conhecimento é sempre insuficiente, coisa que as religiões monoteístas não fazem. Eu acredito (e faço questão de dizer que é só uma crença arraigada em mim, não é uma certeza nem quero que o seja) que o universo SE forma (não é criado) a partir de forças irracionais, autônomas e impossíveis de serem concebidas, reveladas, verificadas ou percebidas por meios científicos ou religiosos... e que a interação conflituosa dessas forças, sua tensão e tensa estabilização em cada momento considerado (momento que poder durar bilhões de anos), forma sempre alguma coisa que parece ordem e que a ciência e a religião tentam explicar, descrever ou prever sistematicamente. Se sou contra religião e ciência é porque elas concebem que o mundo é tão monótono que suas leis e regras estão (ao menos em linhas mais gerais) essencialmente dadas desde sempre e que por isso podem ser reveladas ou descobertas; e eu não quero essa monotonia, quero a possibilidade de o mundo criar-se e recriar-se sempre, eternamente, a todo instante, sem inferno nem paraíso, quero que não haja vida após a morte para que ESTA vida seja rara e bela, digna de ser vivida por si e para si. Deus e a ciência são para mim apenas simplificações que não passam de adoração disfarçada ao homem e um profundo empobrecimento da vida. E o universo não precisa do homem nem de coisa alguma que este intitule deus. Para terminar, sei que o que eu penso não é pensado por ninguém e que a maioria pode dizer que estou louco, mas eu faço questão de pensar de tal forma que meu pensamento não seja o da maioria e que jamais possa ser completamente sintetizado em qualquer livro e por nenhum pregador, seja ele padre ou cientista, ambos para mim farinha do mesmo saco. Não preciso de "salvação" por parte do primeiro nem de explicação por parte do segundo. Arte e Filosofia me bastam para viver intensamente. Agora podem apedrejar, pois nem suas cruzes e Bíblias nem seus telescópios e microscópios mais potentes podem me fazer deixar de pensar como eu penso. Eu crio minha religião e minha ciência, só assim posso acreditar profundamente. Não escrevo para maiorias nem para um público determinado, escrevo apenas para que aqueles que pensam de forma PARECIDA com a minha não se sintam sozinhos nem precisem andar por aí tentando convencer ninguém."


Texto do filósofo baiano Waldísio Araujo, a que chamo de amigo.





domingo, 19 de fevereiro de 2012

Será arte?








Uma parte de mim é todo mundo
outra parte é ninguém
fundo sem fundo.
Uma parte de mim pesa,
pondera
outra parte delira.
Uma parte de mim é permanente
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?

Ferreira Gullar

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Homem de nada.



A minha maior preocupação quando penso é de não ser nihilista, mas confesso que sou como os Ludistas, os quebradores de máquinas, basta quebrar o problema e teremos a solução.

Acredito que ainda é o ranço do dualismo socrático, ou da eterna luta entre o bem e o mal dos lobos da lenda índo-americana. Mas isto já não me incomoda, como diria Whitman, "Sou vasto, contenho milhões.". E assim tenho tendido ao reducionismo, ao nihilismo. Na filosofia de Tyler Durden por exemplo, que ouso assim chamar, mesmo acreditando no social, em soluções e sistemas que abarque toda uma sociedade, enfim, no coletivo. Acabo caindo no clichê da mudança individual, no homem contra ele mesmo, dentro do indivíduo. A compreensão de se estar no mundo, como extensão uns dos outros.

Em "Ontologia da Realidade", Maturana demonstra que somos mais de um, enquanto seres humanos, somos um conjunto inter-relacionado de emoção e razão, o Ponty fala que é necessário considerar o organismo como um todo para se descobrir o que se seguirá a um dado conjunto de estímulos. E junto a estes, mas bem mais perto do biólogo Maturana, os neurocientistas, somos expressão do conjunto de estruturas cerebrais e movimentos hormonais, químicos com expressão físicas. Também seria está a visão de Nietzsche, a vontade de potência, que permeia todas as coisas, animadas e inanimadas, e é quando nós, seres viventes e pensantes, nos superamos. A vontade de potência é um pathos de onde se inicia tudo, "Se se aceitar a concepção mecanicista do mundo, a 'vontade de potência' pode também ser aceita como o móvel do inorgânico." e então "Movimento". Assim, na compreensão deste lado, do que internamente nos move, no que internamente nos cria, poderemos um dia, compreendermo-nos em toda plenitude.

Olhe, Tudo pode está ali, Homem de nada!

"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana , os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem."

Jean-Paul Sartre



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domingo, 25 de dezembro de 2011

A história se repete.





"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. 

Karl Marx
 

"nada há de novo debaixo do sol".
Hegel, citando o Eclesiates 1:5 





"O eterno retorno do mesmo: A história não é finalista, não há progresso nem objectivo".

Friedrich Nietzsche




 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dança no abismo.

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."

Nietzsche.

Agir fora do que determina o social, parecer com o monstro que combate, e ainda escolher o lado certo, agir com virtude, usar as ferramentas erradas, com as intenções certas, ao limite da insanidade, ao limite do desequilíbrio, e ainda assim, "se enganado, não mentir ao mentiroso", usar toda sua fúria para agir da maneira certa, seu ódio sublima na escolha que não há outra maneira, senão, escolher por toda humanidade. E assim, mesmo assim, conservar o coração puro. É impossível sem o desapego, sem o impassível ascetismo da negação do egoísmo, ascetismo como o de Cosme de Calvino, e de apenas desejar a justiça, "Com manobras de amor no precipício".



domingo, 4 de setembro de 2011

McCord e Nietzsche.





"Na afirmação da morte ele se inventa, nada esta estabelecido. Nem a moral, nem deus, nem seu pai, nem o professor, nem o estado o determina, e sim, o momento supremo, aquele em que sua vontade é estabelecida, no enfrentamento. E nesse instante supremo, no seu gesto, ele enfrenta tudo que lhe é contraditório.", e assim escolhe, o sangue em sua farda o inventou novamente.





Especial Nietzsche - Viviane Mosé - Café Filosófico

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Onde está Clark Kent?


O homem é a ponte para o super-homem, então o meio da transmutação dos valores é o homem, mas em quê este homem deve mudar, o que é o dever-ser?

Nietzsche coloca que a moral, bom e mal, vem da dualidade de Sócrates, quando definiu o "filósofo submisso", onde tudo deveria ser valorado no divino, a partir do mundo das idéias que é perfeita e onde nasce a razão, e que associava o bom ao nobre, o aristocrático, ao apolíneo.

E sendo então invertido pela visão judaico-cristã, que a deturpa, onde o bom é o fraco, e nascendo do pensamento "tu és mau, logo eu sou bom".

Nietzsche então diz que "o instinto é uma força afirmativa e criadora.", afirma dionisicamente a vida, e retirou da metafísica o valor, e que a existência do homem é multiplicidade e estas idéias na consciência é interpretada por sinais, e não no que é certo ou errado, verdadeiro ou falso.

Mas na negação da vida, pelo niilismo, a vontade de potência se torna dominação, esta má consciência, mostra o quanto podemos ser impuro, e a vida não sendo o valor supremo, seria um erro, pois os homens não são iguais e vencerá "o tirano em nós". E vencendo a razão e nossa consciência.

E é ingênuo crer que os homens têm boas disposições para com os outros. “Os homens só nutrem qualquer tipo de sentimento, bom ou mau, favorável ou desfavorável, por aqueles que lhe são de alguma forma próximos”.

Como então decidir por toda humanidade sem mudar estes conceitos?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Todos os poemas têm lobos dentro XIV.




Os aliens

talvez você não acredite
mas há pessoas
que passam a vida
sem o menor
atrito ou
agonia
eles se vestem bem, comem
bem, dormem bem
estão satisfeitos com a vida
em família.
eles têm momentos de
melancolia
mas no geral
não são incomodados
e, frequentemente,
sentem-se
muito bem quando morrem
é uma morte fácil, geralmente,
dormem.
talvez você não acredite
porém essas pessoas existem.
mas eu não sou
uma delas
ah não, eu não sou
uma delas
eu nem chego perto
de ser
uma
delas
mas elas estão

e eu estou
cá!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

No covil: Nas paredes I.

Campo de Trigo com Corvos.

"Temos a Arte para que a verdade não nos destrua."
Nietzsche.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Diversidade e adversidade.



A humanidade sempre me fascinou. Não só uma forma de vida, mas como somos os animais mais adaptáveis, e mesmo que na pior adversidade, alguns de nós poderiam sobreviver.

Neste documentário de imagens fantásticas da BBC, sobre como somos tão diferentes e ainda tão iguais, lembro de meu lema de vida, mesmo sabendo que não é fácil:

"Pela diversidade e igualdade"


Gostaria de não ter temido o que vinha, e saído por ai, para conhecer realmente o mundo - Como diria Marcus Aurelius, um dos césares, só temos o momento agora, não temos o passado e o futuro, não tinha o que temer, não?. Como McCandless, escutado o chamado selvagem, e hoje falar de causa conhecida, e não só imaginada, que somos o que somos, porque somos diferentes entre nós.

"Não seremos capazes de modificar um único homem; e se alguma vez o conseguíssemos seria talvez, para nosso espanto, para nos darmos também conta de outra coisa: é que teríamos sido nós próprios modificados por ele!" Friedrich Nietzsche.