domingo, 29 de abril de 2012

Que fazer com este absurdo?



William Butler Yeats


A TORRE


I


Que fazer com este absurdo —
Oh coração, Oh inquieto coração — esta caricatura,
Esta decrépita idade que me ataram
Como à cauda de um cão?
Nunca tive
Mais exaltada, apaixonada, fantástica 
Imaginação, nem olhos e ouvidos 
Que mais esperassem o impossível — 
Não, nem na infância quando com cana e mosca, 
Ou o mais humilde dos vermes, subia a encosta de Ben Bulben 
E tinha onde passar o interminável dia de Verão. 
Parece que tenho de despedir a Musa, 
Eleger como amigos Platão e Plotino 
Até que a imaginação, olhos e ouvidos, 
Se satisfaçam com a argumentação e lidem 
Com o abstracto; ou permitir a troça 
Como se levasse um tacho velho nos calcanhares.




II


Caminho entre as ameias e contemplo
Os alicerces de uma casa, ou ali onde
Uma árvore, como dedo tisnado, se ergue da terra;
E para diante lanço a imaginação
Sob o luminoso dia que declina, e invoco
Imagens e memórias
De ruínas ou de árvores antigas,
Pois a todos interrogarei.


Atrás da colina vivia a senhora French, e uma vez 
Quando velas e candelabros de prata 
Iluminavam o escuro mogno e o vinho, 
Um criado que adivinhava sempre 
Todos os desejos de tão respeitável dama, 
Correu e com as tesouras do jardim 
Podou as orelhas de um labrego insolente 
E trouxe-as num pratinho coberto.


Alguns ainda se lembravam de quando sendo eu jovem
Uma jovem camponesa por canção louvada,
Que vivia algures nessas paragens rochosas,
Louvada pelas cores do seu rosto,
E com grande júbilo ainda mais louvada,
Lembrando que, ao passar pela feira,
Os labregos se acotovelavam
Tal a glória que conferia essa canção.


E outros, enlouquecidos pêlos versos,
Ou por ela brindarem tantas vezes,
Levantavam-se da mesa e declaravam justo
Provar com a vista tal fantasia;
Mas confundiram o brilho da lua
Com a prosaica luz do dia —
A música toldou-lhes a razão —
E um deles afogou-se no grande pântano de Cloone.


Estranho; quem fizera a canção era cego;
Mas, pensando bem, não acho
Nada estranho; a tragédia começou
Com Homero que também era cego,
E Helena atraiçoou tanto coração palpitante.
Oh, podem lua e sol parecer
Um raio inextricável
Pois se triunfar tornarei os homens loucos.


E eu próprio criei Hanrahan 
E ébrio ou sóbrio levei-o pela aurora 
De algures junto às cabanas. 
Apanhado nas armadilhas de um velho, 
Tropeçou, caiu, tacteou aqui e ali 
E como paga só teve os joelhos partidos 
E o horrível esplendor do desejo; 
Em tudo isto pensei há vinte anos:
Os amigos jogavam às cartas num velho estábulo;
E quando chegou a vez do antigo rufia
De tal modo com os dedos enfeitiçou as cartas
Que todas menos uma se transformaram
Em matilha de cães e não baralho de cartas,
E àquela em lebre transformou.
Frenético, Hanrahan levantou-se então
E as criaturas que ladravam seguiu até —


Oh, até onde já me esqueci — mas basta! 
Devo evocar um homem a quem nem o amor 
Nem a música nem a orelha cortada do inimigo 
Podiam, em tal tormento, alegrar; 
Figura já tão fabulosa 
Que não resta vizinho capaz de dizer 
Quando terminou o seu dia de canícula: 
Um antigo dono falido desta casa.


Antes de chegar essa ruína, durante séculos,
Rudes guerreiros, com jarreteiras nos joelhos
Ou de ferro calçados, subiam as escadas estreitas,
E havia guerreiros cujas imagens
Na Grande Memória guardadas,
Chegavam aos gritos e ofegantes
Perturbando o sono daquele que dormia
Enquanto os seus grandes dados de madeira batiam no tabuleiro.


Como a todos interrogaria, pois venham todos os que puderem;
Venha o velho, indigente e aleijado;
Venha e traga o cego errante que celebrou a beleza;
O homem vermelho que o prestidigitador enviara
Para esse prados abandonados por Deus; a senhora French,
De tão apurado ouvido;
O homem afogado no lodo do pântano,
Quando Musas trocistas elegeram a jovem camponesa.


Será que velhos homens e mulheres, ricos e pobres,
Que estas rochas pisaram, que por esta porta passaram,
Em público ou em segredo se indignaram
Como agora o faço eu contra a velhice?
Mas encontrei resposta nesse olhos
Impacientes por partir;
Sim, ide, mas deixai Hanrahan,
Porque preciso das suas poderosas memórias.


Velho libertino com um amor em cada vento,
Retira dessa mente profunda e pensativa
Tudo o que no túmulo descobriste.
Pois é certo que te dás conta
De cada aventura imprevista, cega,
Que suaves olhos tentadores,
Ou carícias ou suspiros atraíram
Ao labirinto de outro ser;


Mais se demora a imaginação
Na mulher ganha ou na mulher perdida?
Se na perdida, admite que te afastaste
De um grande labirinto por orgulho,
Cobardia, alguma parva e excessiva subtileza
Ou qualquer coisa que já se chamou consciência;
E que se à memória se recorre, o sol
Entra em eclipse e o dia em extinção.


III


É tempo de fazer o meu testamento; 
Escolho os homens que se erguem
Esses que sobem as correntes até
Às próprias fontes, e pela aurora
Lançam o anzol à berra
Da pedra que brota; declaro
Que herdem o meu orgulho,
O orgulho de quem
Nunca foi prisioneiro de Causa nem Estado,
Mas não aos escravos humilhados
Nem aos tiranos que humilham;
Sim às gentes de Burke e de Grattan
Que deram, podendo recusar —
Orgulho idêntico ao do amanhecer,
Quando se solta a temerária luz,
Ou o orgulho do corno fabuloso,
Ou do súbito aguaceiro
Quando secas estão todas as correntes,
Ou o orgulho dessa hora
Em que o cisne fixa o olhar
Num esplendor que se apaga,
Flutua num longo e derradeiro
Esforço pelas águas cintilantes
E canta a sua última canção.
E declaro a minha fé:
Rio-me do pensamento de Plotino
E grito na cara de Platão,
A morte e a vida não existiam
Até o homem tudo inventar,
Tudo conceber,
Tudo fazer com a sua alma amargurada,
Sim, e o sol e a lua e as estrelas; tudo,
E também a convicção de que,
Mortos, nos levantamos,
Sonhamos e assim criamos
Translunar Paraíso.
Fiz as pazes
Com sábias coisas italianas
E altivas pedras gregas,
Imaginação de poeta
E lembranças de amor,
Lembranças de palavras femininas,
Todas essas coisas de que
Um homem faz um sobre-humano 
Sonho semelhante a um espelho.


Como naquela seteira 
As gralhas gralham e gritam, 
E amontoam raminhos. 
E depois de amontoados, 
A mãe repousará 
Sobre o buraco ao cimo, 
Aquecendo o rude ninho.


Fé e orgulho deixo 
Aos jovens que se erguem 
E sobem a montanha, 
Para ao romper do dia 
Lançar o seu anzol; 
Desse metal fui feito 
Antes de o quebrar 
Este ofício sedentário.


Agora edificarei a minha alma,
Exigindo-lhe estudo
Numa escola sábia
Até a ruína do corpo,
A lenta decadência do sangue,
Colérico delírio
Ou torpe decrepitude,
Ou os piores males que venham — 
A morte dos amigos, ou a morte 
Do brilho dos olhos 
Que cortava a respiração — 
Parecerem nuvens no céu 
Quando o horizonte se desvanece; 
Ou o sonolento grito de uma ave 
Entre as sombras que se afundam.


trad. JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA.

mais aqui...


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Em direção a Ítaca.




Quando você partir, em direção a Ítaca,
que sua jornada seja longa,
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não temas Laestrigones e Ciclopes nem o furioso Poseidon;
Você não ira encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção 
jamais abandonar seu corpo e seu espírito.
Laestrigones e Ciclopes, e o furioso Poseidon
não estarão no seu caminho
se você não carregá-los em sua alma.
se sua alma não os colocar diante de seus passos.

Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
que o prazer de ver os primeiros portos
traga uma alegria nunca vista.
Procure visitar os empórios da Fenícia 
Vá às cidades do Egito,
aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.

Não perca Ítaca de vista
pois chegar lá é seu destino.
Mas não apresse seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos
e seu barco só ancore na ilha
quando você já tiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.

Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.
Ítaca já lhe deu uma bela viagem;
sem Ítaca, você jamais teria partido.
Ela já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.

Se no final, você achar que Ítaca é pobre,
não pense que ela lhe enganou.
Porque você tornou-se um sábio, viveu uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.

Konstantinos Kavafis

domingo, 8 de abril de 2012

Nada, nada existe.



Dream the dreams of other men
 You'll be no one's rival
Dream the dreams of others then
You will be no one's rival.




Saudações lupinas: Jane Goodall.


Super atrasado mas com toda a consideração possível...

Parabéns a Jane Goodall, primatóloga, etnologista a antropóloga, que aproximou o comportamento dos chimpanzés ao humano, onde a expressões de ternura e ódio componhe a matriz comportamental destas duas espécies. E esse trabalho foi árduo, de dedicação e renuncia, e em prol de se entender outra espécie.


Londres, 3 de Abril de 1934.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Saudações lupinas: Morre um gênio.


Millôr Fernandes (Rio de Janeiro, *16 de agosto de 1923 +27 de março de 2012)


"O pôr-do-sol é de quem olha"

Millôr Fernandes.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Capitalismo perpétuo.

“Pode ser um moto perpétuo, mas levará uma eternidade para testá-lo”.

Cartum por Donald Simanek. 



"...máquinas de mentir, máquinas de castrar, máquinas de dopar: os meios de comunicação se multiplicam e divulgam democracia ocidental e cristã junto com violência e molho de tomates. não é necessário saber ler e escrever para escutar os rádios transistores ou olhar a televisão e receber o recado cotidiano que ensina a aceitar o domínio do mais forte e confundir a personalidade com um automóvel, a dignidade com um cigarro e a felicidade com uma salsicha."
Eduardo Galeano.





segunda-feira, 19 de março de 2012

A natureza e a arrogância.


O céu e a terra tratam miríades de criaturas como cachorros de palha.
Lao Tsé



domingo, 11 de março de 2012

MISUNDERSTOOD.


sexta-feira, 9 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

O bom selvagem.




Qualquer dia escreverei sobre o bom selvagem, o leviatã e Desobediência civil... Tudo no mesmo texto.

sábado, 3 de março de 2012

Homens mortos.



E A MORTE PERDERÁ O SEU DOMÍNIO

E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.

Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.

Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.

E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.

( tradução: Fernando Guimarães)


"Poesia é aquilo que me faz rir, chorar ou uivar, aquilo que me arrepia as unhas do dedo do pé, o que me leva a desejar fazer isso, ou aquilo, ou nada."

Dylan Marlais Thomas


Estonteante.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

The Rolling Stones.


Bem, basta dizer que a banda inglesa  The Rolling Stones pegou o nome desta música.


domingo, 26 de fevereiro de 2012



"A não existência não pode ser consciente da existência."
Saramago

Cuidado com o homem mediano.

 

 

O Gênio das Multidões

 

o que existe de falsidade, ódio, violência e absurdo na

pessoa mediana é suficiente para abastecer qualquer

exército em qualquer dia

e os melhores no assassinato são aqueles que pregam contra ele

e os melhores no ódio são aqueles que pregam o amor

e os melhores na guerra por fim são aqueles que pregam a paz

aqueles que pregam deus, precisam de deus

aqueles que pregam a paz não têm paz

aqueles que pregam o amor não têm amor

cuidado com os pregadores

cuidado com os sabe-tudo

cuidado com aqueles que estão sempre lendo livros

cuidado com aqueles que ou detestam a pobreza

ou têm orgulho dela

cuidado com aqueles que elogiam facilmente

porque precisam de elogios em troca

cuidado com aqueles que censuram facilmente

porque têm medo do que não conhecem

cuidado com aqueles que sempre procuram multidões

porque sozinhos não são nada

cuidado com o homem mediano, com a mulher mediana

cuidado com seu amor, seu amor é mediano

busca o mediano

mas existe gênio em seu ódio

há gênio suficiente em seu ódio para te matar

para matar qualquer um

não desejando a solidão

não entendendo a solidão

eles vão tentar destruir qualquer coisa

que seja diferente das que conhece.

não sendo capazes de criar arte

eles não entenderão arte

eles irão considerar seu fracasso como criadores

apenas como uma falha do mundo

não sendo capazes de amar completamente

eles acharão que o seu amor é incompleto

e então eles lhe odiarão

e seu ódio será perfeito

como o brilho de um diamante

como uma faca

como uma montanha

como um tigre

como cicuta

 

sua mais perfeita arte

Homem de nada III



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Luta interna.



"É bem possível que estejamos diante de um tipo de supersanidade aqui. Uma brilhante nova modificação da percepção humana, mais adequada á vida urbana do século XX (...) Diferente de você e de mim, o Coringa parece não ter nenhum controle sobre a informação sensória que recebe do mundo exterior (...) Ele só pode lidar com a enxurrada caótica de informações seguindo o fluxo (...) Ele não tem uma personalidade real (...) Ele se cria todos os dias (...) O Coringa vê a si mesmo como o senhor do desregramento e o mundo como um teatro do absurdo"

Do livro, Batman e a filosofia. o cavaleiro das trevas da alma.

"Tenha apenas uma regra: Não tenha regras, e quebre-a" 
 Coringa.

 
Deontologia vs Sem valores axiológicos.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Será arte?








Uma parte de mim é todo mundo
outra parte é ninguém
fundo sem fundo.
Uma parte de mim pesa,
pondera
outra parte delira.
Uma parte de mim é permanente
outra parte se sabe de repente.
Uma parte de mim é só vertigem
outra parte, linguagem.
Traduzir uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte?

Ferreira Gullar

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Homem de nada II.

 Saturno devora seus filhos, Goya.

"Nós que viemos da loucura, do caos, do nada, e nos reconhecemos aqui, e apreendemos as idéias dos outros homens e da ideologia existente e ainda nos tornamos vazios, homens de nada.

Lembro, então, que quem contesta é o indivíduo, sujeito a humores, movido a suas vísceras e ideais. E como diz Wallerstein, é mesmo assim, nestes tempos de superestrutura que se enraíza o determinado, e se ajusta quando empurrado em suas colunas, e então moe carne de homens contestadores, como o Saturno de Goya. Mas é quando esta estrutura entra em colapso, que sobressai o novo homem, e novo não quer dizer melhor, mas então, creio que só um homem livre pode entender de liberdade.

Livre da ideologia imposta, da moral da comiseração e crendo na empatia da diversidade, esse homem pode construir algo, sob ideais de igualdade, da verdadeira democracia e na diversidade .

Esse seria um caminho, homem de nada?".

Harry Dirt
 

"Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Não se pode pagar o aluguel com a alma. Experimente fazer isso um dia. É o início do Declínio e a Queda do Ocidente, como Splenger dizia. Todo mundo é tão ganancioso e decadente, a decomposição realmente começou. Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso. Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV."
          Charles Bukowski.
 
 


Sorrow.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

203 anos de nascimento.


Aniversário de nascimento de Darwin, 203 anos.

"I should premise that I use the term Struggle for Existence in a large and Metaphorical Sense, including dependence of one being on another, and including (which is more important) success in leaving progeny."

Charles Darwin.
http://ecologia.ib.usp.br/ffa/arquivos/abril/darwin1.pdf

O preço de sentar no chão.




www.malvados.com.br


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Homem de nada.



A minha maior preocupação quando penso é de não ser nihilista, mas confesso que sou como os Ludistas, os quebradores de máquinas, basta quebrar o problema e teremos a solução.

Acredito que ainda é o ranço do dualismo socrático, ou da eterna luta entre o bem e o mal dos lobos da lenda índo-americana. Mas isto já não me incomoda, como diria Whitman, "Sou vasto, contenho milhões.". E assim tenho tendido ao reducionismo, ao nihilismo. Na filosofia de Tyler Durden por exemplo, que ouso assim chamar, mesmo acreditando no social, em soluções e sistemas que abarque toda uma sociedade, enfim, no coletivo. Acabo caindo no clichê da mudança individual, no homem contra ele mesmo, dentro do indivíduo. A compreensão de se estar no mundo, como extensão uns dos outros.

Em "Ontologia da Realidade", Maturana demonstra que somos mais de um, enquanto seres humanos, somos um conjunto inter-relacionado de emoção e razão, o Ponty fala que é necessário considerar o organismo como um todo para se descobrir o que se seguirá a um dado conjunto de estímulos. E junto a estes, mas bem mais perto do biólogo Maturana, os neurocientistas, somos expressão do conjunto de estruturas cerebrais e movimentos hormonais, químicos com expressão físicas. Também seria está a visão de Nietzsche, a vontade de potência, que permeia todas as coisas, animadas e inanimadas, e é quando nós, seres viventes e pensantes, nos superamos. A vontade de potência é um pathos de onde se inicia tudo, "Se se aceitar a concepção mecanicista do mundo, a 'vontade de potência' pode também ser aceita como o móvel do inorgânico." e então "Movimento". Assim, na compreensão deste lado, do que internamente nos move, no que internamente nos cria, poderemos um dia, compreendermo-nos em toda plenitude.

Olhe, Tudo pode está ali, Homem de nada!

"Quando, alguma vez, a liberdade irrompe numa alma humana , os deuses deixam de poder seja o que for contra esse homem."

Jean-Paul Sartre



.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Use e jogue fora.


Ápice do pensamento capitalista e da razão??!

Nós formulamos o seu desejo e programamos o seu consumo.

Pergunto: Para quê?


Sentido... Sentidos.




"Viver os seus desejos, esgotá-los na vida, é o destino de toda a existência."

Henry Miller.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Só rosnando.



"A única forma de aprender é questionando o que se ensina [...] O homem não é nada se não for um contestador." 

Sartre

domingo, 29 de janeiro de 2012

Saudação lupina: Etta James.





Etta James, *Los Angeles, 25 de janeiro de 1938  +Riverside, 20 de janeiro de 2012


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Se você tem...




Se você tem comida na sua geladeira, roupas para usar, um teto sobre sua cabeça e um lugar para dormir ... você é mais rico que 75% do mundo.

Se você tem dinheiro no banco, na sua carteira alguns trocados, você está entre os 8% mais ricos do mundo.

Se você acordou esta manhã bem de saúde,  você é mais abençoado que o milhão de pessoas que não sobreviverá esta semana.

Se você nunca experimentou o perigo de uma batalha ou a agonia de uma prisão, tortura ou as pontadas de uma fome horrível, você tem mais sorte que 500 milhões de pessoas vivas e que tem estes sofrimentos.

Se você pode ler esta mensagem você é mais afortunado que 3 bilhões de pessoas no mundo que não pode lê-la totalmente.


Saudações Lupinas: Elis Regina.









Elis Regina Carvalho Costa (Porto Alegre, 17 de março de 1945 – São Paulo, 19 de janeiro de 1982)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012



Somos contra a Lei de Combate à Pirataria Online (SOPA)

O Stop Online Piracy Act (em tradução livre, Lei de Combate à Pirataria Online), abreviado como SOPA, é um projeto de lei da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos de autoria do representante Lamar Smith e de um grupo bipartidário com doze participantes. O projeto de lei amplia os meios legais para que detentores de direitos de autor possam combater o tráfico online de propriedade protegida e de artigos falsificados

O projeto tem sido objeto de discussão entre seus defensores e opositores. Seus proponentes afirmam que proteger o mercado de propriedade intelectual e sua indústria leva a geração de receita e empregos, além de ser um apoio necessário nos casos de sites estrangeiros. Seus oponentes alegam que é uma violação à Primeira Emenda, além de uma forma de censura e irá prejudicar a Internet, ameaçando delatores e a liberdade de expressão. (via Wikipedia).

Defendemos uma internet mais justa, mas somos contra qualquer tipo de censura. Mesmo sendo uma lei americana, qualquer site hospedado lá poderá sofrer com a censura - Facebook, Twitter e até mesmo o Google.

Para demonstrar nossa solidariedade com os vários sites que estão protestando contra, nós do Design Blog estamos deixando o site indisponível durante todo o dia de hoje (18 de janeiro) para te mostrar como seria se esta lei fosse aprovada; centenas de sites censurados, alguns até sem motivos claros.

Junte-se a nós! Durante todo o dia de hoje, não poste no Facebook, não atualize seu Twitter, não faça buscas no Google. Não deixe ser calado por governos que querem proteger grandes empresas e esquecem do restante da população.


Nos juntamos ao protesto da  http://design.blog.br/ por uma internet sem censura.


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

200

Esse é o post 200 e vou entrar com um assunto velho e novo para mim, a partir desta "Carta para as futuras gerações, por Ilya Prigogine"



"...

A que ponto chegamos? Estou convencido de que estamos nos aproximando de uma bifurcação conectada ao progresso da tecnologia da informação e a tudo que a ela se associa como a multimídia, robótica e inteligência artificial. Essa é a "sociedade de rede", com seus sonhos de aldeia global.

Mas qual será o resultado dessa bifurcação? Em qual de seus ramos nos encontraremos? A palavra "globalização" cobre uma grande variedade de situações diferentes? E possível que os imperadores romanos já estivessem sonhando com globalização, uma cultura única dominando o mundo. A preservação do pluralismo cultural e o respeito pelo outro exigirá toda a atenção das gerações futuras. Mas há outros riscos no horizonte.

Cerca de 12 mil espécies de formigas são conhecidas hoje. Suas colônias variam de algumas centenas a muitos milhões de indivíduos. E interessante notar que o comportamento das formigas depende do tamanho da colônia. Em colônias pequenas, a formiga se comporta de forma individualista, procurando comida e a levando de volta ao ninho. Quando a colônia é grande, porém, a situação muda e a coordenação de atividades se toma essencial. Estruturas coletivas surgem espontaneamente, então, como resultado de reações autocatalíticas entre formigas que produzem trocas de informação medidas quimicamente.

Não é coincidência que nas grandes colônias de formigas ou térmites os insetos individuais se tomem cegos. O crescimento populacional transfere a iniciativa do indivíduo para a coletividade.

..."


Leia o resto aqui: http://fiquelouco.blogspot.com/2007/11/e-com-vocs-ilya-prigogine-carta-para-as.html




E obrigado aos que se importam e enxergam. 

 

sábado, 14 de janeiro de 2012

Tarde demais.



OH SIM



há coisas piores do que
estar só
mas costuma levar décadas
até que o percebamos
e frequentemente
quando o conseguimos
é demasiado tarde
e nada pior
do que
ser demasiado tarde.


Charles Bukowski

(tradução de Tiago Nené)



 Old man sleeping - CartMell


Reparou como os velhos
Vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas?
Já viveram tudo
E sabem que a vida é bela

Cazuza - Só As Mães São Felizes.

 

domingo, 8 de janeiro de 2012

sábado, 7 de janeiro de 2012

O estrago do liberalismo.



"Não é da bondade do homem do talho, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso jantar, mas da consideração em que eles têm o seu próprio interesse. Apelamos, não para a sua humanidade, mas para seu egoísmo, e nunca lhes falamos das nossas necessidades, mas das vantagens deles"


Adam Smith.


"Na sociedade capitalista a alienação tem duas faces: o proletário aliena-se porque nesse acto produtivo que é o trabalho ele é escravo do desejo de lucro que constitui a obsessão do capitalista (este reduz o operário a uma condição animalesca); o capitalista também está alienado (separado da sua humanidade): obcecado pelo desejo de lucro, de acumulação de riqueza, torna-se escravo desse desejo, não é um homem entre os homens, mas o lobo insaciável que devora e consome a vida dos outros."


Carl Marx.



 Contra o estrago do liberalismo, recuperar o Marx filósofo.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19334


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Você é manipulado?



Isso não é uma obra de ficção, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

domingo, 1 de janeiro de 2012

O Valhalla.





Eu ri...


Mas como todo idealista de merda, idealizo até meu inferno, em um bar de stripper, em New Orleans numa terça de mardi grais, onde rola Rhythm'n'blues, rock'n'rolls, Blues e Jazz all nigth long, e o whisky de milho não acaba nunca.



Conquistar o mundo.










Diz uma piada de biólogos, que eles desistiram de conquistar o mundo depois de analisar o trabalho que daria.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Mais um ano.

Eu ia criar um post...

Mas visitem este aqui  do Sávio,

Eu não posso desejar mais nada... Só um...




FELIZ 2012!!!