segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Dança no abismo.

"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você."

Nietzsche.

Agir fora do que determina o social, parecer com o monstro que combate, e ainda escolher o lado certo, agir com virtude, usar as ferramentas erradas, com as intenções certas, ao limite da insanidade, ao limite do desequilíbrio, e ainda assim, "se enganado, não mentir ao mentiroso", usar toda sua fúria para agir da maneira certa, seu ódio sublima na escolha que não há outra maneira, senão, escolher por toda humanidade. E assim, mesmo assim, conservar o coração puro. É impossível sem o desapego, sem o impassível ascetismo da negação do egoísmo, ascetismo como o de Cosme de Calvino, e de apenas desejar a justiça, "Com manobras de amor no precipício".



Alguns entendem...

sábado, 1 de outubro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Frutos da terra.


"Camarada, eu te ensinarei o furor!!!"

Andrè Gide.

"Tu não me dominarás, tristeza! Ouço um canto suave através das lamentações, dos soluços. Um canto cujas palavras invento a meu talante. Um canto que me fortalece o coração quando o sinto prestes a ceder. Um canto que encho com teu nome, Camarada, e com um apelo aos que com ânimo responderão:

Erguei-vos frontes inclinadas! Olhares voltados para os túmulos, erguei-vos. Não para o céu vazio, mas para o horizonte da terra. Para onde te conduzirão teus passos, Camarada, regenerado, valente, disposto a sair desses lugares empestados pelos mortos; deixa tua Esperança transportar-te para a frente. Não permitas que nenhum amor ao passado te retenha... Lança-te para o Futuro! A poesia, cessa de transferí-la para o sonho; saibas vê-la na realidade. E se não estiver nela ainda, coloca-a lá!

As sedes não estancadas, os apetites insatisfeitos, os frêmitos, as esperas vãs, as fatigas, as insônias... que tudo te seja poupado, ah, como o desejaria, Camarada! Inclinar para tuas mãos, teus lábios, os galhos de todas as árvores frutíferas. Fazer ruírem os muros, abaterem-se diante de ti as barreiras sobre as quais o açambarcamento ciumento acaba de escrever: "Entrada proibida. Propriedade particular". Obter enfim que te caiba a recompensa integral de teu trabalho. Erguer tua fronte e permitir enfim que teu coração se encha não mais de ódio e inveja, mas sim de Amor! Sim, permitir enfim que todas as carícias do ar, os raios do Sol e todos os convites à felicidade te atinjam.

Ó tu para quem escrevo – a quem chamava outrora por um nome que hoje se me afigura demasiado dorido, a quem eu agora chamo Camarada – não admitas mais nada de dorido no teu coração.

Saibas obter de ti o que torne a queixa inútil. Não implores mais de ourem o que podes obter.

Eu vivi; é tua vez agora. É em ti que doravante se prolongará minha juventude. Dou-te procuração. Se sentir que sucedes a mim, aceitarei melhor a morte. Transfiro-te minha Esperança.

Sentir-te corajoso permite-me deixar a vida sem lamentos. Toma minha alegria. Faze tua felicidade do aumento da de todos. Trabalha e luta e nenhum mal aceites que possas mudar. Cumpre que saibas repetir sem cessar: depende de mim! Ninguém se conforma sem covardia com todo o mal que depende dos homens. Deixa de acreditar, se jamais o acreditaste, que a sabedoria está na resignação; ou deixa de pretender à sabedoria.

Camarada, não aceites a vida tal qual a propõem os homens. Não cesses de te persuadir que ela poderia ser mais bela, a vida; a tua e a dos outros homens; não uma outra, futura, que nos consolasse desta e nos ajudasse a aceitar sua miséria. Não aceites! Quando começares a compreender que o responsável por todos os males da vida não é Deus, que os responsáveis são os homens, não te conformarás mais com esses males.

Não sacrifiques aos ídolos...."


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Genocídio, quando isso acaba?



Cenas fortes, que podem assustar pessoas sensíveis.



Resultado da resistência da ditadura Líbia, como forma de assustar e punir os rebeldes. Repete-se um fenômeno aterrorizante da imposição de ideia através da força, o genocídio, como capacidade de odiarmos o diferente ou manter privilégios.

Assim tropeça a humanidade... Assim ela o é.

domingo, 18 de setembro de 2011

#OccupyWallStreet


Watch live streaming video from globalrevolution at livestream.com

Quantos de vocês souberam que houve uma ocupação em Wall Street?

"A única coisa que temos em comum é que somos 99% do povo que não tolera a cobiça e corrupção de 1%", afirma um comunicado publicado no site "Occupy Wall Street".
https://occupywallst.org/

domingo, 11 de setembro de 2011

A civilização.


"Dois anos ele caminha pela terra. Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista. Um viajante estético cujo lar é a estrada. Fugindo de Atlanta, não retornarás, porque "o Oeste é o melhor". E agora depois de dois anos errantes chega a última e maior aventura. A batalha final para matar o ser falso interior e concluir vitoriosamente a revolução espiritual. Dez dias e noites de trens de carga e pegando carona trazem-no ao grande e branco Norte. Para não mais ser envenenado pela civilização, ele foge e caminha sozinho sobre a terra para perder-se a natureza."

Alexander Supertramp - Maio de 1992

Os erros não se tornam verdadeiros por se difundir e multiplicar facilmente. Da mesma forma, a verdade não se torna erro pelo fato de ninguém a ver.


Mahatma Gandhi




quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O Brasil não conhece o Brasil.


"É indispensável impedir o passado de construir o futuro. Quero dizer, é preciso tirar da gente que nos regeu e infelicitou através dos séculos o poder de continuar conformando e deformando nosso destino. No dia em que todo brasileiro comer todo dia, quando toda criança puder completar a escola, quando todo homem e toda mulher encontrar um emprego estável em que possa progredir, se edificará no Brasil a civilização mais bela deste mundo.Desejo apenas que algum jovem pense que é tempo de tomar esse país nas mãos, para construir aqui a beleza de nação que podemos e havemos de ser."

Darcy Ribeiro


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

McCord e Nietzsche.





"Na afirmação da morte ele se inventa, nada esta estabelecido. Nem a moral, nem deus, nem seu pai, nem o professor, nem o estado o determina, e sim, o momento supremo, aquele em que sua vontade é estabelecida, no enfrentamento. E nesse instante supremo, no seu gesto, ele enfrenta tudo que lhe é contraditório.", e assim escolhe, o sangue em sua farda o inventou novamente.





Especial Nietzsche - Viviane Mosé - Café Filosófico

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Wolves nie vergessen.


Tempos modernos, procurando a sua quimera ou Dandara,
E a esfinge da produção vem e te devora.
A roda então gira, moendo tudo que restara.

Tempos modernos, sua princesa ou seus sonhos de nada,
Mas, branca, branquinha, a minha esperança continua imaculada,
E então esperando, pela a grande esfinge, ser devorada.

E o mesmo que antes, acordar ensanguentado no seu campo de batalha.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

domingo, 28 de agosto de 2011

Mundo livre.



O que sempre me deixou consternado é a capacidade do homem tornar outro homem seu escravo, em nome de um deus, do dinheiro ou da violência. Através destas artimanhas, algumas desprezíveis, como a economia global, racismo e sua variação, a xenofobia, sexismo e o especismo - aqui com outro ser vivo, e isso para ter uma "banheira de ouro" - prefiro um dia de sol num rio ou a água da chuva - para mostrar para seus cupinchas o que o seu poder lhe traz de benefício. Mas é assim, sempre foi, e será ainda por muito tempo. Eu que tenho esta mania de pensar em um mundo utópico, como os clãs escoceses na idade média e os dos mongóis pré-históricos, os índios na antiguidade americana ou as tribos na nova guiné. E não, não sou um pensador como Rosseau, se bem que a princípio acho válido, tendo mais para Thoreau e a desobediência civil. Os grandes feitos, a glória, o "nome na história" que moveu esse grandes conquistadores do nada, essa ambição por mais, e que tolamente só destrói o outro lado da "humanidade", ou mesmo o planeta, mas somos assim. Nietzsche explica e espera que o super-homem sobreviva, o ser individualmente completo, que se basta em si, que não sofre influência do estado, da moral estabelecida, da "glória egoísta" ou do poder pelo poder. E assim, de forma anárquica e responsável, ser por todos, e que todo ser senciente tenha direito a este planeta e a vida.

E daí, me pergunto, a que serve todo poder? A que serve todas as ditaduras?



"Eu vejo uma mulher na noite com um bebe em suas mãos
Debaixo de um velho poste de luz ao lado de uma lixeira
Agora, ela joga a criança fora e vai embora
Ela odeia a sua vida e o que ela fez..."


Continuem "cantando rock" por um mundo livre!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Double Lennon.





Com Lennon e pelo mundo, dê uma chance a paz e conte comigo.





quinta-feira, 11 de agosto de 2011

animals



"I think I could turn and live with the animals, they are so placid and self contained;
I stand and look at them long and long.
They do not sweat and whine about their condition;
They do not lie awake in the dark and weep for their sins;
They do not make me sick discussing their duty to God;
Not one is dissatisfied-not one is demented with the mania of owning things;
Not one kneels to another, nor his kind that lived thousands of years ago;
Not one is responsible or industrious over the whole earth."



Creio que eu poderia transformar-me e viver como os animais.
Eles são tão calmos e donos de si!
Detenho-me para contemplá-los sem parar.
Não se atarantam nem se queixam da própria sorte;
Não passam a noite em claro, remoendo suas culpas,
Nem me aborrecem falando de suas obrigações para com Deus.
Nenhum deles se mostra insatisfeito;
Nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir coisas;
Nenhum deles fica de joelhos diante de outro,
Nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos.
Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o amplo mundo.


sábado, 6 de agosto de 2011

Liberdade e genocídio.



Chamar um genocídio moderno, como o do final da II Grande Guerra, de rosa, só dá para permitir como licença poética, no máximo seria um cogumelo venenoso, não, nem isso, o cogumelo não tem a intenção de matar. A música é tocante e a letra sublima um momento nefasto de tal forma que só a arte tem o direito de fazer. E o fato é um ápice da "Estúpida e inválida" ação humana, a partir do pensamento, também nefasto, nascido na então esquálida Europa, que tinha sido o berço da "civilização", mas passava por uma crise de ideal e econômica.

Um pensamento nascido numa terra então infértil de esperança e cheio de "Rotas alteradas", foi base do totalitarismo, de um nacionalismo xenófobo e na violência do estado. Tudo isto permeado por uma visão religiosa e iluminista deturpada e baseada nas técnicas de propaganda em massa e culto a personalidade e de signos – Tudo que não é muito estranho a humanidade – que deu no holocausto como destino do absurdo no humanismo, que nem para eles era o motivo fim, mas apenas uma extirpação de um mal, uma limpeza.

Mas mesmo toda essa inquietação não admite o que veio depois, na corrida armamentista do racional a partir de conceitos físicos modernos, a criação da bomba atômica, e com o motivo de finalizar mais rapidamente a guerra aguerrida contra os filhos do sol nascente, foi usada de forma indiscriminada contra civis, para causar o maior temor possível, e não contra alvos militares onde o alvo menor era passível de erro e de movimento pífio, e enfim, contra alvos econômicos, talvez com o motivo escuso de enfraquecer ainda mais o derrotado. Todos os motivo racionais para causar o mais espetacular e tétrico flagelo a todos nós, humanos, e aos japoneses em particular. E em nome da liberdade, o ideal humanista pelo iluminismo. E que foi ainda perpetuado por vários anos e exigiu mais vidas, como preço durante a guerra fria, tudo pelo poder econômico e mercantilista.

Só dá para entender tudo isto reconhecendo a contradição humana, onde o maior armamento já pensado, trouxe a paz, mas não a Paz, pois era só medo. Medo que não existe no regime totalitarista e teocrático. E é este o absurdo que vivemos atolados até o pescoço.

Escreveu o velho Hank:

“…

Radiated men will eat the flesh of radiated men

The sea will be poisoned

The lakes and rivers will vanish

Rain will be the new gold

The rotting bodies of men and animals will stink in the dark wind

The last few survivors will be overtaken by new and hideous diseases

O velho solitário, e sacana, entendeu muito bem o nosso tempo.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Churrasco metafísico.


Se houvesse um deus, ele deveria dançar, beber e amar às mulheres, e claro, preparar o melhor churrasco e ter a melhor cerveja, bem gelada.

Do resto, de nossas preocupações mundanas, do nosso moralismo funesto, dos dogmas que entorpecem a vida por outra no porvir, depois da morte, ele gargalharia, comprimindo os ombros. Com sua camisa branca e bermuda azul, abrindo um sorriso largo de dentes intramelados, com gordura da linguiça na sua barba e um charuto cubano apagado no canto da boca.

Derrubaria a cerveja no chão, e quase furaria meus olhos com o espeto de maminha... E diria, "Como vocês, os homens, são idiotas!"