terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

No covil: Pensamentos VII.


"A massa sustenta a marca; a marca sustenta a mídia; e a mídia controla a massa." George Orwell, escritor, (1903-1950).


A condução do querer - Blog Observar e absorver

domingo, 13 de fevereiro de 2011

202 anos com cara de 22.




Ontem foi aniversário de nascimento de Charles Darwin, esqueci completamente, mesmo lendo várias blogs com tema relacionado, esqueci, culpa da degradação mental, coma alcoólico, Alzheimer, stress, demência, vida conturbada, problema pessoal...

Não tem desculpa, mas confesso que sou péssimo de datas, meus amigos que o digam, na verdade faz parte de meu estilo, meu dia é hoje, e de todos a quem vejo ou leio, com certeza é algum tipo de autismo, ou falta de concentração, sei lá. Tirando a faca de minha garganta e colocando no chão, li Darwin pela primeira vez numa coleção de banca de jornal, isso fora dos livros didático, e aquilo me fluiu, li depois "A origem...", lembro que na biblioteca da minha escola, o livro tinha saído umas duas vezes em 5 anos.

Engraçado que parecia que havia encontrado um velho amigo, aquilo me batia como água de quartinha, fresca e restauradora, de explicação simples pois "A complexidade mata", e principalmente, me tirava dos dogmas da criação e minha revolta com deus. Na verdade, meus questionamentos religiosos começaram a acontecer quando comecei a imaginar o infinito, e isso aos 14 anos não parece ser muito salutar, e ainda hoje me afeta de alguma maneira, me deixando mais confuso.

A partir dali, cai ainda numa armadilha criacionista, da sublime inteligência de Deus, de apartir de um simples acender de partícula, BANG, criou-se o mundo, e a regra. Darwin caiu nesta tentação também, "Humano, demasiadamente humano" diria o bigodudo, pelos que amava talves, pois do outro lado tudo parecia sem sentido.

Sem sentido, um caos, apenas caos disforme, e nossa lógica e razão só enxerga parcialmente, de forma míope.

Tenho tendencia ao nihilismo, ativo, direi a Nietzsche. O reducionismo é ainda para mim a maior dialética, o parto de Sócrates pela maiéutica. Reduzir, desfragmentar, desconstruir como Foucault. Não havia mais saída, a mosca azul do tsé-tsé já havia me mordido pela maravilhosa diversidade e ainda pela fantástica semelhaça na anatomia comparativa. Pronto, tudo ficou simples, mas ainda com pouco sentido. Na verdade o sentido é o instinto, ou pulsão de vida e morte, do memes de Dawkins, no DNA... Achamos o ponto de virada, o DNA.

Bom, tem ainda muitas dúvidas, e curiosidade, mas o bom é o mistério, chato é o fim quando você diz "eu sabia que era o mordomo!", não?. Na verdade não me importo mais de onde viemos, e se há uma entidade criadora intencional, deista ou teista, para mim não há, e é minha episteme, mas como existencialista eu não me importo em mudar a sua crença desde que por ela você não queira matar um outro ser vivo qualquer, a não ser pelo único motivo de se alimentar ou defender os seus. A única coisa que quero é desmontar este narcisismo antropocentrista de nós humanos, que achamos que somos o pináculo evolutivo, humpf!

Vieram outros: Goeldi, Castanheda,Sagan, Sartre, Jesus (Surpresa!), Cousteau, Niet, Camus, Thoreau, Dosto, JGould, Dawkins, vários. Não vou apontar mais para não esquecer ninguém... Mas ele, CD, foi o que me desmontou. E assim, com cara de um bom velhinho inofesivo, mudou todos das gerações depois, colocou irmão contra irmão, e simplemente porque gostava da natureza e de seu trabalho, sendo fiel aos dois.

Ele é o maior anarquista subversivo que eu conheço, e admiro. Parabéns, e obrigado!


Desculpem esse pobre estúpido, bati o texto de primeira, e deve ter erros e lacunas. A minha grande sorte é que ELAS "só querem se divertir".



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Pela liderança da matilha III.


“Não há uma vantagem absoluta no desenvolvimento da inteligência. Ela é uma tremenda adaptação, uma formidável ferramenta desenvolvida pela humanidade, mas não é uma garantia de que vamos sobreviver para sempre como espécie.” Stephen Jay Gould.

Colocando o homem no seu lugar, como cachorro-de-palha.


Entrevista com Stephen Jay Gould.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Uivo cantado IV.



"I know I was born and I know that I'll die
The in between is mine
I am mine..."


E o que há "descendo a Av. da Morte, colhendo pétalas" é que neste interim, o que há é meu.


Ao Canis. Nesta sexta lenta como um blues chorado.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

No covil: Pensamentos VI.



Capitalismo de simulacro: a Coca-cola é o refrigerante que mais vende e mesmo assim é o mais caro.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

No covil: Pensamentos V.

Mike atravessando 2000km na África, Congo-Gabão.
"Alguém pode entender o significado de tudo isso em
nossa sociedade? Dinheiro!?"


Mike Fay, Naturalista e conservacionista.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Uivo cantado III.



"O teatro mágico, só para loucos" HH.

Saudação Lupina: Júlio Verne.




"Podemos violar as leis humanas, mas não as da natureza."


Júlio Verne (8 de Fevereiro 1828 – 24 de Março 1905).



A minha homenagem para aquele que me inspirou a imaginação, o desejo de aventura e o senso científico. E acredito, de outros também.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

No covil: Pensamentos IV.

...minha especialidade é viver - era a legenda de um homem (que não tinha renda porque não estava à venda)...

e.e.cummings

Todos os poemas têm lobos dentro VI.

Não te Arrependas

Não te arrependas, Amada, porque a mim tão depressa
te deste!
Podes crer, nem por isso de ti penso coisas insolentes
e vis!
Vária é a acção das setas do Amor: algumas arranham,
E do rastejante veneno languesce pra anos o peito.
Mas, com penas potentes e gume afiado de fresco,
Outras penetram até ao tutano e rápido inflamam
o sangue.
Nos tempos heróicos, quando Deuses e Deusas amavam,
Ao olhar seguia o desejo, ao desejo o prazer.
Crês tu que a Deusa do Amor pensou muito tempo
Quando no bosque de Ida um dia Anquises lhe
agradou?
Se Luna tardasse a beijar o belo dormente,
Auiora, invejosa, em breve o teria acordado.
Hero descobriu Leandro no festim ruidoso, e ligeiro,
Ardente saltou o amante pra a corrente nocturna.
Rhea Sílvia, a virgem princesa, vai descuidosa
Buscar água ao Tibre, e o Deus dela se apossa.
Assim Marte gerou os seus filhos! — Uma loba
amamenta
Os Gémeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo.

Johann Wolfgang von Goethe, in "Elegias Romanas"
Tradução de Paulo Quintela.



Luv, Vera.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

No covil: Nas paredes I.

Campo de Trigo com Corvos.

"Temos a Arte para que a verdade não nos destrua."
Nietzsche.

O lobo e a estepe.


Hermínia para o Harry:

"Você, Harry, sempre foi um artista e um pensador, um homem cheio de fé e de alegria, sempre no encalço do grande e do eterno, nunca se contentando com o bonito e o mesquinho. Mas quanto mais despertado pela vida e conduzido para dentro de si mesmo, tanto maior se tornou sua necessidade, tanto mais fundo mergulhou no sofrimento, na timidez, no desespero; mergulhou até o pescoço, e tudo o que no passado conheceu, amou e venerou como belo e santo, toda a sua fé de então nos homens e em nosso elevado destino, nada pode ajudá-lo, tudo perdeu o valor e se fez em pedaços. Sua fé não encontrou mais ar que respirasse. E a morte por asfixia é uma morte muito dura. Não é verdade, Harry? Não é esse o seu destino? [...] Você trazia no íntimo uma imagem da vida, uma fé, uma exigência; estava disposto a feitos, a sofrimentos e sacrifícios, e logo aos poucos notou que o mundo não lhe pedia nenhuma ação, nenhum sacrifício nem algo semelhante; que a vida não é nenhum poema épico, com rasgos de heróis e coisas parecidas, mas um salão burguês, no qual se vive inteiramente feliz com a comida e a bebida, o café e o tricô, o jogo de cartas e a música de rádio. E quem aspira a outra coisa e traz em si o heróico e o belo, veneração pelos grandes poetas ou a veneração pelos santos, não passa de um louco ou de um Quixote.".

HESSE, H. O Lobo da Estepe.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Uivo cantado II.





I'll swallow poison
until i grow immune
i will scream my lungs out
till it fills this room

How much difference…
how much difference…
how much difference does it make?
how much difference does it make?

Qual?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Todos os poemas têm lobos dentro V.




A noite será devagar.


bem, aqui estou eu
de novo
ouvindo as boas e velhas
músicas
de novo,
sentindo tristeza,
a boa
tristeza
à moda antiga
em que as lágrimas
não chegam
a sair.
bom.
ouço mais um pouco.

a mente pode
consumir quantidades
mágicas de
memória
enquanto a noite se
desdobra
noite adentro,
enquanto outro charuto
é acesso,
como se pode ficar
terrivelmente amuado
quando velhas
músicas seguem-se
uma às
outras,
rostos são
lembradas,
rostos jovens,
como fatias novas de uma
maçã,
estão mortos
agora,
quase todos
eles
mortos
agora.

a aparente
beleza e
a aparente bravura,
se foram.

sentado aqui
permitindo que meus
melhores sentidos
sejam diluídos pela
melancolia,
um homem
velho,
lembrando
de novo,
olhando de cima
a baixo o bar imaginário
cheio de assentos
vazios,
pensando naquela
criança com os loucos
olhos
vermelhos
que sentava lá
enchendo o copo e
enchendo e enchendo e
enchendo
de novo
ao ponto da
imbecilidade,
agora lembrando,
ouvindo
de novo,
permitindo a idiotice
entrar
de novo,
somos todos
idiotas para sempre
idiotizados
para sempre.
alegremente.
agora.


Para minha mãe, com amor.


E escute isso, no final do baile...

No covil: Pensamentos III.


"Adultos são crianças obsoletas" - Dr. Seuss

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O planeta e quem o consome.



É preciso lembrar que estamos há tão pouco tempo aqui, e menos ainda com nossa sociedade moderna devoradora de recursos, com vantagem para uma minoria, considerando os nossos 6 milhoes de indivíduos. E já fizemos bons estragos, e com o principal motivo de acumular riqueza?! E numa economia baseada na guerra e armas!!

Não existem pré-destinados e eleitos, isso é a forma tacanha e egoísta de se viver.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Pela liderança da matilha II.

Muros da ditadura, reais e imaginários.

Segundo os dois autores [Juan Linz e Alfred Stepan em “A Transição e Consolidação da Democracia – a experiência do Sul da Europa e da América do Sul”.] que citei acima, uma prosperidade econômica prolongada em um regime autoritário também pode minar os fundamentos de autojustificação do regime. O sucesso econômico prolongado pode contribuir para a percepção de que as medidas coercivas de exceção, adotadas pelo regime não-democrático, não são mais necessárias e podem vir a ser um mal para as conquistas já alcançadas. Crescimento econômico também pode elevar o custo da repressão, facilitando assim a transição para a democracia. Por exemplo, aumento da classe média, expansão da educação e contato com outras sociedades pelos veículos de comunicação.
No Blog do Sakamoto,sobre o Egito.

A informação é inimiga da ditadura, a educação também. Elas promovem o crescimento econômico e social. Mas, de todos os regimes autoritários o mais resistente é o que se esconde atrás de necessidades, da demagógica e escusa criação de necessidades, de um conformismo com as tragédias humanas e com os ensejos apenas individuais.

Já que a informação e a educação são etéreas e é sem valor axiológico determinado, podem ser usadas como a energia atômica, para o bem ou mal. O que nos faz escolhermos um lado ou outro da faca? A dor? O medo? A empatia com o sofrimento alheio? O altruísmo? O prazer?

Não sei. O que usar como referência?

Tudo faz pressão, mas são como falsos nortes, falham em algum momento e nos levam ao erro, como afirma Locke, "O erro não é uma falta de nosso conhecimento, mas um equívoco de nosso julgamento, assentindo a algo que não é verdadeiro". Alguns autores existencialistas colocam que a liberdade e as escolhas são a semente da miséria, pois toda escolha é errada, por não existir sinais no mundo. E o que criaria a falta destes sinais senão o absurdo?. Sartre diz que é preciso escolher mesmo sem referência, como em "A Náusea" tudo é gratuito e sem sentido, e não podemos agir por má-fé, em fuga destas escolhas. Angústia e náusea, então.

Portanto, mesmo com poucos lugares justos, só reconhecendo outro humano como "irmão" na existência, e do seu direito fundamental a vida, é que começo a entender onde podemos chegar. E assim agir por toda a humanidade. Ora, só assim mataremos o assassino do homem.

Lugar comum? Talvez... Precisa ser incomum?



"No Matter Where, No Matter How Tall, All Walls Fall."
No muro israelita, no lado palestino.

Todos os poemas têm lobos dentro IV.



Um pré-humano morto:Australopitecos.

Sou um pré-humano morto.
Eu marquei a minha existência com pegadas a beira de um lago.
Não pensava, mas existia.
Senti, e sinto todas as angústias de outros da minha espécie ou não.
O medo e o prazer.
E sei tudo o que me é importante.
Onde tem água, comida, quem são meus amigos e inimigos, e a quem eu amo.
E, principalmente, que quando morremos tudo acaba.
Deixamos apenas restos, só pegadas num lago.
A minha vida foi simples, comia, bebia, dormia, mas quando tinha e podia.
E não carregava nada em minhas mãos, para tê-las livres, sempre.
Fugi e me escondi várias vezes.
Morri jovem, na medida do homo sapiens, mas vivi intensamente.
Morri de forma medíocre, em uma luta para proteger os meus.
E morri primeiro, pois é melhor do que vê-los morrendo.
Você me conhece.
Olhe nos meus olhos, fite-os.
E verá na escuridão deles o seu rosto.
Eu sou parte de todo humano.
Eu estou vivo em toda humanidade.
Eu estou vivo em você.

Porque o mundo não começou com a razão.


Todos os poemas têm lobos dentro III.



Acreditei nos meus pais... Acreditei em deus... Acreditei em meu país... Acreditei nos homens... Acreditei no amor... Acreditei na razão... Acreditei na arte... Acreditei em mim... Agora, não há mais nada para acreditar.