quinta-feira, 23 de junho de 2011

Todos os poemas têm lobos dentro XVII.

Cântico negro

José Régio


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...


Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

O bom e velho...


Mannish Boy, Muddy Waters.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A diversidade.



La diversité = "Liberté, Egalité, Fraternité".

Pela diversidade, igualdade e fraternidade.

domingo, 19 de junho de 2011

Saudação Lupina: José Saramago.


Saramago (*16 de Novembro de 1922 , +18 de Junho de 2010)


Poema à boca fechada

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.



Um ano sem o velho sábio.

Parabéns, Chico!




A juventude revolucionária brasileira vai fazer 70 anos, vencemos a ditadura, mas caímos numa pasmaceira de engôdos e falácias e de permissividade, e isso não é piada, eu estou chorando aqui. Mas, mesmo assim, parabéns, Chico! Muitos anos de vida!

Mesmo Chico não sendo um expoente da tropicália, o único movimento importante depois disto seria o Funk dos morros cariocas? Sigamos em frente...

Livrai-nos do mal, Sartre! Amém!

“O QUE QUEREMOS, DE FATO, É QUE AS IDÉIAS VOLTEM A SER PERIGOSAS"
A Internacional Situacionista pichou nos muros em 68, na França.


Post com parceria do Amigo Hudson, parceiro no jogo ruim do Flamengo, contra o fiel escudeiro Botafogo.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Para ler: Top 100 de não-ficção.


Confesso, preciso ler mais, mais, e... Sempre.

http://www.revistabula.com/posts/listas/os-100-maiores-livros-de-nao-ficcao

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Imersos em nossa soberba.



Incrível e simbólica foto sobre a nossa ignorância e burrice de não saber tratar o lixo e o consumo desenfreado.

Mais no link do IG: http://especiais.ig.com.br/zoom/dia-mundial-do-meio-ambiente-cenas-de-reciclagem-pelo-mundo/

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Museus e o Google.





Esse belo projeto do google, Art Project, merece ser visto. São 17 museus no mundo, e com os recursos do Google, como o street view. Mas o mais arrepiante é quando você dá o zoom na resolução das fotos, na lateral esquerda embaixo. Ponto para o Google.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Onde está Clark Kent?


O homem é a ponte para o super-homem, então o meio da transmutação dos valores é o homem, mas em quê este homem deve mudar, o que é o dever-ser?

Nietzsche coloca que a moral, bom e mal, vem da dualidade de Sócrates, quando definiu o "filósofo submisso", onde tudo deveria ser valorado no divino, a partir do mundo das idéias que é perfeita e onde nasce a razão, e que associava o bom ao nobre, o aristocrático, ao apolíneo.

E sendo então invertido pela visão judaico-cristã, que a deturpa, onde o bom é o fraco, e nascendo do pensamento "tu és mau, logo eu sou bom".

Nietzsche então diz que "o instinto é uma força afirmativa e criadora.", afirma dionisicamente a vida, e retirou da metafísica o valor, e que a existência do homem é multiplicidade e estas idéias na consciência é interpretada por sinais, e não no que é certo ou errado, verdadeiro ou falso.

Mas na negação da vida, pelo niilismo, a vontade de potência se torna dominação, esta má consciência, mostra o quanto podemos ser impuro, e a vida não sendo o valor supremo, seria um erro, pois os homens não são iguais e vencerá "o tirano em nós". E vencendo a razão e nossa consciência.

E é ingênuo crer que os homens têm boas disposições para com os outros. “Os homens só nutrem qualquer tipo de sentimento, bom ou mau, favorável ou desfavorável, por aqueles que lhe são de alguma forma próximos”.

Como então decidir por toda humanidade sem mudar estes conceitos?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Uivos cantados X.




Um dia eu a deixarei...


É.

E ela vai chorar, pelos momentos que não tivemos, pelo o que nunca foi, mas... eu também.

E olharei para a varanda, de onde não acenam, das ruas onde coloquei cada pedra, das casas onde reboquei cada tijolo, e não caminhamos de mãos dadas por lá.

Sentirei saudade...

Das cartas que não li, e nem escrevi. Das manhãs de sol, dos dias de chuva, longe dela, e ela...

De mim.

O carteiro será meu inimigo.

A caixa do supermercado não pode saber como eu sofro, e dá vontade de perguntar se ela sofre, como eu. Nem o entregador da farmácia eu encaro, mas pergunto se o remédio que ele trás aplaca minha dor, e pergunto, se ela o pediu também. Não, nem o encaro.

Fujo de meus amigos e de suas estúpidas alegrias...

Levantar de manhã é duro, encarar a rua, impossível. Não sou... Nem tento mais.

Por isso desisto, até de pensar de um dia, de um dia a deixar. É inconcebível.


domingo, 15 de maio de 2011

Pela liderança da matilha VIII.





"A razão pela qual me recuso a ver o Existencialismo como apenas mais um modismo francês, ou uma curiosidade histórica, é porque ele tem algo muito importante a nos oferecer neste novo século.

Acho que estamos perdendo as virtudes de vivermos apaixonadamente, de assumirmos a responsabilidade por quem somos, de tentarmos realizar algo e nos sentirmos bem em relação à vida. O Existencialismo é, às vezes, visto como uma filosofia do desespero... mas eu penso que ele é o contrário. Sartre disse, certa vez, que nunca teve um dia de desespero em sua vida. O que esses pensadores nos ensinam não é tanto uma sensação de angústia, mas sim uma exuberância de sensações. Como se sua vida fosse a sua obra a ser criada. Eu li os pós-modernos com interesse, com admiração até, mas sempre tenho uma péssima e incômoda sensação de que algo essencial está sendo deixado de fora.

Quanto mais se fala sobre o ser humano como um construto social ou uma confluência de forças, ou como fragmentado ou marginalizado, o que apenas se faz é abrir todo um novo universo de desculpas. Quando Sartre fala de responsabilidade, não é abstrato. Não se trata do tipo de eu ou de alma de que falam os teólogos. É algo bastante concreto. É eu e você conversando, tomando decisões, fazendo as coisas e assumindo as conseqüências.

Há seis bilhões de pessoas no mundo, é verdade. No entanto, suas ações fazem diferença. Fazem diferença em termos materiais, e fazem diferença para outras pessoas. E ainda servem de exemplo.

Concluindo, penso que a mensagem aqui é: não devemos jamais nos eximir e nos vermos como vítimas de várias forças. Quem nós somos é sempre uma decisão nossa."

Robert Solomon - (1943* - 2007+)
professor de Filosofia
Universidade de Austin - Texas.


No filme-animação "Walking Life", indico.

sábado, 7 de maio de 2011

Billie, Yesterdays.





A eternidade é quando somos lançados a um lugar atemporal, em um instante...

O tempo de uma música de verdade, por exemplo.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uivos cantados IX.



‎"Make love and not war!
'Cause we don't need no trouble
What we need is love
To guide and protect us on
If you hope good down from above
Help the weak if you are strong now."

Bob Marley.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pela liderança da matilha VII.


“Choro a perda de milhares de vidas preciosas, mas não me alegrarei com a morte de nenhuma, nem mesmo a de um inimigo. Responder ao ódio com o ódio aumenta a obscuridade e a torna mais profunda que uma noite sem estrelas. A escuridão não pode expulsar a escuridão. Só a luz pode conseguir isso! O ódio não pode expulsar o ódio… Só o amor é capaz disso!”

Martim Luther King



O americano que os americanos esqueceram...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

Pílulas do Durden II: Só para lobos

Sala na casa branca - USA.


“Você compra móveis. E pensa, este é o último sofá que vou comprar na vida. Compra o sofá, e por um par de anos fica satisfeito porque, aconteça o que acontecer, ao menos tem o seu sofá. Depois precisa de um bom aparelho de jantar. Depois de uma cama perfeita. De cortinas. E de tapetes. Então cai prisioneiro de seu adorável ninho e as coisas que antes lhe pertenciam passam a possuir você.”

Tyler Durden.


Não existe um lado negro e um lado branco... Só existe o cinza.


Essas mensagens não querem dizer nada, só o que você deseja.